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terça-feira, 21 de outubro de 2008

As palavras dos outros: Júlio Resende


" A idade dá-nos, felizmente, falta de paciência para coisas que não têm importância, no conjunto do tempo." Júlio Resende, pintor, in Visão

domingo, 19 de outubro de 2008

As palavras dos outros: Pançada com MEC


Uma verdadeira “pançada” de comer, beber, boa conversa e palavras revigorantes. Algumas pérolas da entrevista de Miguel Esteves Cardoso à Visão.

É o prato que nos identifica melhor (o cozido)?
Não. Talvez pescada cozida, com grelos e um arroz de penca. Um arroz solto, maravilhoso, aguado, como se faz no Porto. Portugal é o país do mundo que come mais arroz. È o que come mais peixe, o que bebe mais álcool, tudo o que seja de comer e de beber nós temos sempre mais, somos uns javardos [risos]! Não h+a mais nenhum povo que coma arroz e batatas no mesmo prato.

(…)

Primeiro foram os fumadores. A seguir são os gordos?
Ser gordo é quase um acto de… fuck you pá!Vão criar impostos para os gordos, é?! As pessoas engordam porque comem demais, é simples! Este é o corpo que mereço, reflecte a minha carreira! Os gordos fazem imensa falta na sociedade. As pessoas podem sempre dizer: “ Eh pá, apesar de tudo não estou como o Miguel Esteves Cardoso” [risos]. Os gordos até fazem dieta, mas só um mês. Depois mandam a dieta à merda e entram na fase do “ ai, eu não devia, mas isto é tão bom!”. O panda só come bambu e é gordo!

(…)

Entretanto, temos um primeiro-ministro que faz jogging e promove a mentalidade higiénico-sanitária…
O Sócrates é um gajo que fumou ás escondidas. Eu não fumo, mas um gajo que fuma ás escondidas é cool.

(…)

Comida e sexo, misturam-se?
Não, não gosto daquela coisa à Nove Semanas e Meia, de pôr azeitonas no umbigo e febra na coisa. Mete-me nojo [risos].

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

As palavras dos outros: Eduardo Lourenço I

Provavelmente se tivesse ficado cá (n.a Portugal) não teria tanta distância e tanta objectividade. Penso que foi, também, a minha maneira de não perder Portugal, de estar cá não estando. Nesse tempo o Portugal perdido tinha duas significações: uma expatriação ou uma fuga mais ou menos voluntária e outra a de um Portugal que, por outras razões, era muito difícil nós considerarmos quer em termos de cidadania e liberdade. Eu vivi este país como uma espécie de prisão como muitos portugueses viveram - não todos. Isso é uma mitologia nossa mas as pessoas estavam aqui muito tranquilas, muito contentes. Portugal também foi feliz naquela época! Não é por acaso que Portugal tem esta fixação no "Pátio das Cantigas". Aquilo é a sociedade Salazarista em estado puro. Quando aquilo passa de novo na televisão, estamos em grande! Este Portugal não foi assim tão infeliz - era infeliz para quem não estava com o sistema

por Eduardo Lourenço