Provavelmente se tivesse ficado cá (n.a Portugal) não teria tanta distância e tanta objectividade. Penso que foi, também, a minha maneira de não perder Portugal, de estar cá não estando. Nesse tempo o Portugal perdido tinha duas significações: uma expatriação ou uma fuga mais ou menos voluntária e outra a de um Portugal que, por outras razões, era muito difícil nós considerarmos quer em termos de cidadania e liberdade. Eu vivi este país como uma espécie de prisão como muitos portugueses viveram - não todos. Isso é uma mitologia nossa mas as pessoas estavam aqui muito tranquilas, muito contentes. Portugal também foi feliz naquela época! Não é por acaso que Portugal tem esta fixação no "Pátio das Cantigas". Aquilo é a sociedade Salazarista em estado puro. Quando aquilo passa de novo na televisão, estamos em grande! Este Portugal não foi assim tão infeliz - era infeliz para quem não estava com o sistema
por Eduardo Lourenço
Há 2 dias
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