sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Primavera de Outono

Ver cair as folhas dos ramos
sentir que caem sobre ti
castanho outonal que se sacia do teu brilho


Ver-te passar assim de repente
sentir arder por dentro
Volúpia, pura volúpia


Ver que o amor me foge
Sentir que o desejo me atraiçoa a alma
Que negra de doença fica


Sinto o cenário estático
Só corre a tua imagem
Apenas caí a folhagem


Sinto a letargia do abandono
Sinto que foges ligeira
Colina acima, numa ansiedade


Sinto a perda do que nunca tive
Como se de ficção se tratasse
O sentimento do prosador pela lente do realizador


Sinto a paixão arrancar-me do universo da sanidade
Fustiga-me a loucura, que perdura sem ternura
Nesta carcaça enferma


Ver que não me vês
Sentir que não me sentes
Por isso sou doente

Sem comentários: